sábado, 17 de julho de 2010

Mal de fotógrafo

Ando ao redor, munido de uma câmera e um sorriso.
Ando por pessoas e emoções,
Por caminhos, sorrisos, choros e olhares.
Ando, vejo e respiro.

Quando consigo, apenas ando.
Mas vejo, sinto e amo.
Sim, e como amo!
Amo o presente tão profundo e supremo,
Não só a vida, mas a sua essência.

Amo e compartilho o que posso.

Já não vejo mais os defeitos.
Não vejo faces, rugas, espinhas, narizes, queixos e queixas.
Vejo apenas sorrisos, lágrimas e a vida.

Foram-se as pessoas, as máscaras,
E sobrou o que tento imortalizar o instante.

Pretensão? Sim, mas possível.
Difícil; mas possível.

Vejo a beleza,
Não da simetria, da estrutura,
Dos olhos azuis e corpos esbeltos.

Bela é a vida.
Suas rugas, marcas, manchas,
Defeitos, narizes tortos, marcas de expressão
(Sim, as que mostram que a pessoa está viva e se expressa),
Tudo, sim, tudo está abaixo da emoção.

Abaixo da sinceridade do sorriso espontâneo,
Abaixo da vida e seus defeitos,
Das falhas, das dores, do choro e dos enganos.

Meu mal é descartar o que dizem ser feio,
É não mais perceber esses tais defeitos.
Meu mal é procurar a beleza pura e verdadeira.

E digo com toda a certeza:
Tens um sorriso lindo,
Esse olhar indescritível
E és linda!

Linda como me mostraram e condenaram.
Linda como a criança que chora, que ri e que dança.
Linda como simplesmente és.
Linda.

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