O quadro nosso de cada dia
Gosto de algumas mudanças de perspectiva.
Dizem que a fotografia difere da pintura por ser uma imagem de fora para dentro.
O processo da pintura começa a partir de uma tela em branco e aos poucos se adicionam os traços, as cores, as deliciosas sombras e os sutis detalhes para enriquecer a imagem.
Um processo imagético de adição.
Para a fotografia, geralmente o processo é inverso.
Têm-se algumas imagens e o processo é de subtrair linhas que não adicionem ou que prejudiquem o assunto principal (aceite a generalização de ambos os processos, não pretendo discorrer sobre excessões).
Sempre que vejo uma fotografia que me encanta, lembro do Bart dizendo:
"parece um quadro!" - em seguida, fazendo um sketch mental da estrutura da imagem.
De uns tempos para cá, resolvi que, quando fotografar, voltar para casa com pelo menos um "quadro".
Para isso, preciso começar a ver de dentro para fora e, quando encontrar o "cenário" que se encaixe com essa estética, retirar o máximo de informações desnecessárias.
Nem sempre consigo um "quadro", uma foto "wow",... mas quando se juntam um rancho (cheio de mosquitos devoradores de branquelos), uma grande amiga, um cabelão lindo e uma parede verde... as chances aumentam...
E conseguir concretizar o quadro com uma luz refinada, depois de terminar outro livro sobre iluminação, é garantia de voltar para casa com mais do que a sensação de dever cumprido.



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